Pelo direito de nascer, e de fazer nascer

Quem acompanha esse blog sabe que eu não costumo fazer posts assim, geralmente evito esse tipo de assunto que acaba gerando polêmica, principalmente por questões religiosas (e eu prefiro não me envolver na religião de ninguém), mas resolvi escrever. O BloodyMarii é meu, e desde que o criei, minha única regra pra ele era nunca deixar de postar alguma coisa por causa dos outros. É meu espaço, é coisa que converso com amigos, não tem motivos pra eu não falar aqui.

Não, eu não tô grávida, e se for da minha escolha, não pretendo que aconteça tão cedo. Mas quero isso pra mim, e espero poder escolher, dentro do possível, como as coisas vão acontecer. Uma delas é o parto. Desde a primeira vez que eu perguntei pra minha mãe "como foi que eu nasci?", sempre botei na cabeça de que um bebê só sairia daqui se fosse através da cesárea. Calma que eu explico, resumidamente:

Quando eu nasci, minha mãe tinha 23 anos. A data esperada pra eu nascer, era a partir do dia 5 de Novembro, que era quando a gravidez completaria os nove meses. Mas eu, apressada desde o útero, achei aquilo um absurdo e quis nascer dia 25 de Outubro mesmo. Na verdade, dia 24, mas por várias complicações, demorei um pouco pra chegar. Minha mãe foi pro hospital numa quinta (esse dia 24), com contrações, mas acabaram mandando ela de volta pra casa. Já passava da meia noite (então, já era dia 25), e minha mãe teve que ir pro hospital de novo, porque as dores ficaram piores. Tentaram induzir um parto normal, sendo que, bem, não rolava. E minha mãe, naquela dor, que segundo andei lendo por aí, equivale a dor que você sente quando vinte ossos do seu corpo se quebram ao mesmo tempo. Foram horas nesse sofrimento, até que perto das 13h, um obstetra chegou, xingou todo mundo e levou minha mãe pra se preparar, ia ser cesárea. Eu nasci, segundo mamãe todo aquele sofrimento valeu a pena, e ela ficou aliviada. E depois veio a notícia de que se esperassem mais alguns minutos, não ia dar certo. Ou seja, se tivessem insistido ainda mais no parto normal, mamãe e eu morreríamos.

Claro que cada caso é um caso e eu tô aqui explicando o meu, mas desde que ouvi isso pela primeira vez, não conseguia entender quem optava pelo parto normal. Antes que venham me detonar, eu tinha uns seis, sete anos nessa época, eu não sabia lá de muitas coisas. Mas daí, cresci. 

Todas as mulheres da minha família que são mais próximas a mim, optaram pela cesárea, e não se arrependeram. Elas eu posso afirmar com certeza de que foi por opção própria, não teve médico induzindo a ideia, não teve interferência. Até minha mãe mesmo diz que o caso dela não é o caso de todo mundo, e que parto não é essa coisa traumática sempre. Mas, sempre tem aquela pessoas que lançam a frase que uma mulher grávida, ou que acabou de dar luz odeia: "sou mais mãe porque fiz o parto normal".

Se isso há anos atrás já era absurdo, imagina hoje, 2014? E é o que mais tem. Acompanho o blog da Bianca Hulmann, que ano passado descobriu que estava grávida e sempre fez diários de gravidez. Ela considerou parto normal, cesárea, mas por causa de um problema de saúde, o parto normal não parecia ser a melhor opção. E semana passada, a filha dela, a Valentina, nasceu muito saudável, foi tudo bem com o parto, mas ainda tem quem a crucifique por ter feito cesárea. Uma mulher não é mais mãe pela escolha do parto? Então, como no caso da minha mãe, alguém que aguentou horas de sofrimento e não desistiu em nenhum momento pela filha (que ela achava que era um filho, mas tudo bem), é menos mãe? Ou o caso da Bianca, que arriscou a própria vida pra prosseguir com a gravidez, não é tão mãe assim porque o parto dela não foi normal? Eu acho que não.

Conheço casos de mulheres que optaram por ter seus filhos em casa mesmo, sem anestesia, o parto natural, e deu tudo certo. E no final, não é isso que importa? Não entendo como terceiros querem apontar e falar que esse parto é certo, esse é o errado...quem vai dar luz é você ou a mulher? 

Eu não defendo nenhum deles, defendo sempre a opção da mulher, o que for mais confortável pra ela e que oferecer menos riscos. Inclusive, defendo se a mulher optar por não ter filhos, se quiser adotar. É escolha dela, e nem eu e nem você temos nada a ver com isso. Nada.

Não vou falar de aborto nesse post, nem em nenhum outro, porque minha opinião é só minha e essa eu prefiro deixar aqui, calada. 

That's none of my business

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Comentários sujeitos à aprovação.

Topo