Três perguntas pra Ilana Casoy

Não tem como eu não começar esse post sem ter um momento tiete. Já falei algumas vezes aqui o quanto eu me interesso por livros, revistas e qualquer outro material que estuda os serial killers, psicopatas. Expliquei milhões de vezes que meu interesse é na forma como a mente dessas pessoas funciona, como não existem muitos limites. Enfim. Esse meu interesse todo teve duas responsáveis: minha mãe, que sempre me incentivou a ver filmes e me deu meu primeiro livro sobre o assunto, e a Ilana Casoy, que vem a ser autora desse primeiro livro que eu li.



Li 'Serial Killer - Louco ou Cruel?' em dias, lia em todo lugar, e acabei relendo mais vezes. Acabei me interessando também por outros livros, mas sempre achei a Ilana Casoy incrível. Em várias entrevistas, ela conta que resolveu largar a carreira de administradora pra seguir a de perita. Se especializou, fez e faz parte da investigação de inúmeros casos famosos (o caso Richthofen é um exemplo), e continua escrevendo livros.

Um dia, no Twitter, perguntei se ela poderia responder algumas perguntas pra eu postar aqui. Fiquei muito feliz quando ela aceitou, e procurei tomar bastante cuidado pra não fazer aquelas perguntas que ela deve estar cansada de tanto responder. Como eu não sou uma jornalista, não sei se formulei bem, então, foi a Mari curiosa e fã quem perguntou. Desde já, agradeço à Ilana, por ter dedicado um tempo pra me responder, e por ser tão solícita. Me fez admirar ainda mais!


BloodyMarii: Li que você participou de uma espécie de conselho para construir a mente do Dexter Morgan. Quais foram as inspirações pra construção da mente de um psicopata tão "bem-sucedido"?

Ilana: Foi um prazer poder fazer para o CANAL FOX o perfil de Dexter Morgan durante a introdução da série no Brasil. Os episódios trouxeram informações importantes sobre o universo da perícia científica e de como são os procedimentos em locais de crime, a reconstrução do comportamento criminoso, a coleta de provas, além de nos apresentar em como é feita uma investigação de crimes em série, na qual é sempre difícil definir a motivação do assassino, que é sempre psicológica e coerente com seu histórico pessoal.

BM: Qual conselho você daria pra alguém que quer seguir a carreira investigativa? Muitas pessoas ainda pensam que a rotina é bela e tranquila como a do CSI...

Ilana: Atualmente, existem diversas especializações que podem proporcionar carreiras interessantes. O meu conselho é que a pessoa busque em si mesma a sua vocação e que procure sempre se atualizar participando de cursos, congressos, seminários e ficar atento aos editais das academias de polícia para seguir carreira investigativa.

BM: O caso da família Pesseghini ainda está sem solução, mas a polícia insiste em acusar o menino Marcelo, e ainda insistem em apontar o fato de que ele jogava jogos violentos como uma espécie de má influência. Você realmente acha que um jogo é capaz de motivar uma pessoa a matar? Já li tantos absurdos, como as músicas do Marilyn Manson que motivaram os atiradores de Columbine e o assassino de John Lennon que usou 'O Apanhador No Campo de Centeio' como um meio de se justifica (e acabaram até criando uma teoria em cima do livro).

Ilana: Nesse trágico episódio do qual a Família Pesseghini foi vítima, acompanho toda repercussão através da imprensa. Nenhum jogo ou exposição à violência (caso de livros/músicas/filmes)transforma alguém em assassino. Pode aumentar seu imaginário de ação, mas não torná-lo aquilo que já é. Existem pessoas mais sugestionáveis que outras, e isso não é pré-requisito para trazer suas fantasias para a realidade. Problemas na infância todos têm, o que nos diferencia é nossa capacidade de resiliência, ou seja, a capacidade de superar com o mínimo de danos e prosseguir.

Pra conhecer todos os livros da Ilana. Aproveitem também e leiam os artigos dela.

A melhor coisa em ter um veículo de comunicação, mesmo sendo um blog tão pequeno como o BloodyMarii é, é conseguir contato com uma pessoa que você admira e poder mostrar pras pessoas, porque elas com certeza passarão a admirar também. ;)

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